À espera por leito de CTI, paciente relata o tratamento desumano na Policlínica
A dona de casa Sueli Aparecida Lopes sofreu com a falta de estrutura da rede de saúde. Na noite de quinta-feira, dia 2, ela foi levada à Policlínica, após sofrer forte dor torácica. Na unidade, ela foi diagnosticada com um infarto agudo do miocárdio e o relatório médico destacava que o caso demandava urgência, devido ao risco de morte.De dentro da Policlínica, a própria Sueli ligou para a Redação do Jornal CORREIO no que ela mesma chamou de um pedido de socorro. Na ligação, a paciente denunciou o que considerou um descaso dentro da unidade de saúde. A solicitação junto ao Sistema SUS Fácil foi realizada às 6h36, do dia 3 de junho, mas não houve a disponibilização da vaga. A informação era de que não havia leitos do SUS nas unidades consultadas. Com essa justificativa e assustado com a situação, Neivaldo de Almeida Ferreira, amigo de Sueli, foi até o Ministério Público pedir a imediata transferência da paciente para um leito de CTI. Na ação, foi ponderado que é dever do estado ofertar o serviço e, não havendo leitos disponíveis pelo SUS, deveria o estado proceder à compra de leito privado para garantir o direito ao tratamento adequado da paciente.
A paciente ainda afirmou que, após ingressar na Justiça, sofreu retaliações por parte do médico que a assistia na Policlínica. "Durante esse tempo fiquei sem respostas de como estava o andamento do meu pedido. Minha sensação é de total abandono", repudia, afirmando que apenas recebeu tratamento paliativo.
A paciente também relata que foi colocada em uma enfermaria feminina onde havia outros homens e teve que enfrentar constrangimento sempre que precisava fazer suas necessidades fisiológicas. "O tratamento aqui é desumano e, por várias vezes, me senti humilhada", disse.
De acordo com a assessoria de comunicação da PMCL, em resposta enviada às 12h24 de terça-feira dia 7, a vaga buscada pela família, via judicial já havia saído. Pouco depois a promotora Danielle Vignoli informou que fez contato com o SUS Fácil e apurou que a vaga foi disponibilizada na tarde de terça-feira e que a paciente seria transferida no mesmo dia.
Policlínica responde
A administração da Policlínica rebateu as denúncias apresentadas por Sueli. Conforme informou, a vaga por um leito de CTI foi buscada junto à regulação do SUS Fácil em Barbacena, mas havia diversas outras solicitações à frente.No sábado, dia 4, conforme um dos plantonistas, havia 8 pacientes cadastrados, dentre os quais 5 eram para o CTI. Em Barbacena, havia outros 23 na fila de espera. "Os familiares acionaram o estado, mas verificamos no cadastro da Sueli e não havia nenhum registro determinando a disponibilização da vaga. Depois percebemos que a escrivã do Ministério Público havia enviado a solicitação para um e-mail errado. Durante todo esse procedimento, o acompanhante da paciente teve ciência do que estava acontecendo e de todas as tentativas no sentido de solucionar o caso", afirmou um representante da administração da policlínica.Em relação ao fato de Sueli ter ficado no mesmo espaço de pacientes homens, a direção explicou que ela estava sozinha na ala feminina e devido à necessidade de isolamento de uma paciente com suspeita de H1N1, foi necessário que alguns pacientes ficassem durante o sábado, apenas, na ala feminina. Ainda segundo a direção, a única indisposição entre a paciente e o médico se deu devido a suspeita de que Sueli estaria fumando e que por esse motivo foi advertida de forma mais enfática.