Júlio Barros volta a cogitar pré-candidatura após absolvições na Pasárgada
As recentes absolvições
do ex-prefeito Júlio Barros (PT) em relação às denúncias apresentadas na
Operação Pasárgada devem provocar uma nova reviravolta no quadro político que
cerca a sucessão municipal em Lafaiete. Isso porque, depois de marcar posição
de que apenas participaria das eleições na qualidade de vice, o petista já
assume que pode figurar como cabeça de chapa. A fala ocorreu durante entrevista
em que Barros comenta o arquivamento do pedido do Ministério Público para que
houvesse ressarcimento ao erário público, suspensão dos direitos políticos,
aplicação de multa e indisponibilidade de seus bens. A ação teve como origem a
suposta ilegalidade na contratação do advogado Walzemir José Duarte em uma ação
contra o INSS, em 2005.
Ao falar das decisões na área criminal e cível, que tiram qualquer amarra judicial que pudesse lhe prejudicar, o ex-prefeito disse que na época das denúncias, houve um julgamento prévio sem direito à ampla defesa, o que culminou em uma prisão por cinco dias. "Houve um abalo psicológico e político. Perdi as eleições seguintes. Foi um prejuízo enorme", afirmou, ressaltando que há uma concordância nas duas sentenças. "Penso que houve um reparo em relação a minha biografia", afirma, destacando que na ação cível, havia ainda a questão da devolução e multa. As sanções foram rejeitadas na sentença do Juiz José Leão, que ressalta não ter havido dano ao erário e, afastando o ato de improbidade administrativa.
Sem as denúncias, Júlio se disse com mais energia para uma possível disputa. Ele também avaliou o cenário político. "Vejo que o quadro está muito vagaroso, frio e sem definições. Eu mesmo estou em dúvida, mas penso, sim, em ser pré-candidato", revela.
Consenso de oposição
Com pouco tempo para aprofundar as costuras políticas, Barros vê, no momento, uma polaridade entre governo e oposição. "No grupo contrário à administração, há adversários históricos. Entretanto, por ter se construído um consenso de oposição, políticos de várias matizes estão conversando", informa, ressaltando que isso resulta em parte da influência exercida pelo deputado Glaycon Franco, aliada à inabilidade da atual administração.
Nas conversas que têm dominado os bastidores políticos, Júlio já apresentou seu nome como cabeça de chapa e percebeu que possui uma unidade em torno dele. Na condição de vice, Barros poderia editar uma dobradinha com Benito Laporte, Wesley Luciano, Zezé do Salão, Divino Pereira e também com o ex-prefeito Vicente Faria. "A chance de uma aliança entre grupos que eram adversários é grande", garante.
Operação Pasárgada
Em 2008, o então prefeito, Júlio Barros foi preso pela Polícia Federal na chamada "Operação Pasárgada", acusado de envolvimento num esquema de venda de decisões cautelares na Justiça Federal. O processo foi devolvido à Justiça de 1ª instância. Há alguns meses, Barros já havia sido absolvido, criminalmente, em sentença do Juiz Paulo Roberto. As denúncias foram alvo de investigações em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que chegou a cassar o mandato do prefeito, por alguns dias.