H1N1: novo surto de gripe suína coloca Brasil em alerta
Lafaiete e o Brasil ainda estão longe de se livrarem dos efeitos sinistros da dengue, zika e chikungunya - que só devem ser amenizados no inverno ou com uma ainda não registrada conscientização de toda a sociedade - e uma nova e devastadora doença já entra no radar da sociedade: a síndrome respiratória aguda grave, provocada pela influenza A (H1N1), conhecida como gripe A. De janeiro a 26 de março deste ano, o Brasil registrou 444 casos. O boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde aponta, ainda, que a doença já provocou a morte de pelo menos 71 pessoas em todo o país.
O novo alerta chega sete anos depois da epidemia mundial de gripe H1N1, em 2009. Este ano, a chamada gripe suína já avançou por 11 estados e tem provocado filas por vacinas na rede particular, que ainda está começando a recebê-las. São Paulo, onde o surto se antecipou em relação ao outono, recebeu boa parte dessas doses. A gripe vem avançando pelo Sul de Minas, com três casos confirmados da doença e duas mortes, segundo o último balanço do Ministério da Saúde. Porém, há vários casos suspeitos na região. A corrida pela imunização também já é sentida em pontos que comercializam álcool em gel. Na capital mineira, a procura cresceu 500%.
Alerta para a prevenção
A doença é mais comum nos meses do inverno, porém houve uma antecipação do surto de gripe este ano, principalmente, em São Paulo. Conforme explica o médico pediatra e proprietário da clínica Clipai, Aloísio da Silva, os sintomas são semelhantes ao da gripe comum. Porém, mais intensos, com febre alta de início súbito, acompanhada de tosse, enjoo, vômitos, às vezes, diarreia, congestão nasal, coriza (que pode ser clara ou purulenta), espirros, tosse, dor de garganta, dor muscular, articular e cefaleia. "Se a febre abaixa com o uso de antitérmico e a criança volta a alimentar, fica ativa, brincando, é um bom sinal que nos deixa mais tranquilo para continuar observando. O resfriado comum, causado por outros vírus, não impede as atividades diárias das pessoas, cujo apetite e estado geral estão preservados. Quando há febre, é geralmente baixa", detalha.
É importante lembrar que a doença pode levar à morte. Por isso, é fundamental estar atento e procurar um médico em caso de agravamento dos sintomas: "Se o paciente apresenta sinais de gravidade, como falta de ar, desconforto respiratório, saturação de oxigênio menor que 95%, piora de doença pré-existente é sinal de que pode estar desenvolvendo a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que pode necessitar de internação em UTI. Assim, o tratamento do doente vai desde o acompanhamento ambulatorial até a internação em UTI, de acordo com a gravidade do quadro clínico do paciente", explica o médico.
Como acontece em outras enfermidades, a doença também tem o chamado grupo de risco, do qual fazem parte a população indígena, gestantes, puérperas (até duas semanas após o parto), crianças menores de dois anos, idosos (maiores de 60 anos), portadores de pneumopatias, incluindo asma, cardiovasculopatias (excluindo Hipertensão arterial), doenças hematológicas, distúrbios metabólicos, Síndrome de Down, paralisia cerebral, AVC, imunossupressão (HIV/Aids, Neoplasias, doenças renais e do fígado, etc. "A vacina contra a gripe, ao longo dos anos, tem se mostrado extremamente eficaz e segura. Assim, principalmente aqueles que fazem parte do grupo de risco, devem ser vacinados. Existe uma medicação específica, que se chama Oseltamivir, ou Tamiflu. Mas nem todos precisam tomar esse medicamento. Ele está indicado para os grupos de maior risco, até 48h desde o início dos sintomas", completa o médico Aloísio da Silva.