Casos de Zika acendem o alerta para doença que provoca paralisia
Nos últimos dias, as descobertas em relação às
potencialidades vírus da zika têm deixado especialistas e autoridades de saúde
preocupados. Uma das últimas possibilidades, que se torna cada vez mais real, é
a relação com uma doença neurológica muito rara - a Síndrome de Guillain-Barré
(SGB).
No Rio de Janeiro, onde os casos de zika têm se multiplicado, de forma epidêmica, houve um aumento de pessoas com a Síndrome. No entanto, ainda não foi estabelecida uma relação causal direta entre a infecção com o vírus e SGB. Há outros fatores, como a infecção prévia por dengue ou fatores genéticos, que poderiam contribuir ou influenciar o aumento de casos de SGB. No momento, estão sendo realizados vários estudos para melhor estabelecer a relação entre zika e SGB.
No Brasil, o surto de zika coincidiu com o aumento do registro de síndromes neurológicas. Segundo a Organização Panamericana de Saúde, até julho de 2015 foram registrados 76 casos ? 42 de Guillain-Barré. Na Polinésia Francesa, onde houve surto de zika entre 2013 e 2014, 74 pacientes apresentaram síndromes neurológicas ou autoimunes logo após terem manifestado sintomas compatíveis com a infecção pelo vírus. Desses, 42 foram classificados como Guillain-Barré. Em El Salvador, também houve um aumento incomum de casos recentemente. Entre 1º de dezembro de 2015 e 6 de janeiro de 2016, foram registrados 46 casos da síndrome, quando antes o país tinha média de 14 casos por mês.
Gestores do sistema de saúde afirmam que ainda é cedo para falar em aumento de casos, mas destacam que a rede de saúde não está preparada se isso acontecer. Nesse caso, será urgente empenhar esforços para a rede se organizar e começar a definir protocolos clínicos adequado para o tratamento destes pacientes.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da síndrome de Guillain-Barré é feito, primariamente, de forma clínica, a partir da observação e análise dos sintomas, com a complementação de exames laboratoriais. Ainda não há cura específica para a doença. O tratamento é focado no combate aos sintomas e minimização dos danos motores, com injeção de imunoglobinas (anticorpos contra os auto-anticorpos que estão atacando a bainha de mielina) e plasmaférese (uma espécie de hemodiálise na qual é possível filtrar os auto-anticorpos que estão atacando a bainha de mielina).
De acordo com o Ministério da Saúde, a rede pública (SUS), para o tratamento de Guillain-Barré, são oferecidos, gratuitamente, 35 procedimentos diagnósticos, clínicos, cirúrgicos, de reabilitação e medicamentos.