Causador de microcefalia, vírus zika pode ter chegado ao Brasil na Copa
Pouco
conhecido no mundo e no Brasil, o zika vírus (ZIKV) tem sido o mais recente
motivo de preocupação na medicina. Pertencente à família Flaviviridae, o mesmo
da dengue e da febre amarela, também transmitido pelo Aedes aegypti, é o
responsável por uma doença chamada febre zika, que apresenta sinais e sintomas
similares aos da dengue, porém mais brandos. Mas tem se tornado notícia por
outra razão: sua ligação com os casos de microcefalia - malformação neurológica
na qual o tamanho da cabeça do feto ou da criança é menor do que o esperado
para a idade e que causa retardo mental em até 90% dos casos. É a primeira vez
no mundo que essa complicação é identificada. A febre zika é comum em vários
países da Ásia e da África, e esse tipo de malformação nunca havia sido
descrito. Os casos no nordeste brasileiro foram os primeiros a serem
notificados. Mas o que você realmente sabe sobre a doença?
A febre zika é uma doença nova no Brasil. Esse vírus é transmitido por um mosquito presente em boa parte do território nacional e nunca havia circulado na população brasileira, o que significa dizer que as pessoas não têm imunidade contra essa virose. A doença rapidamente se espalhou por vários estados do país. Segundo dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, o vírus zika foi identificado pela primeira vez em 1947, na África, em um macaco-rhesus que estava sendo utilizado em uma pesquisa sobre febre amarela. A primeira descrição de febre zika em humanos ocorreu em 1954, na Nigéria. Desde então, casos esporádicos de febre zika têm sido descritos em países da África tropical e Sudeste da Ásia. Em 2007, porém, o primeiro grande surto de febre zika foi descrito na Micronésia, no Pacífico sul. De lá para cá, várias ilhas desse território têm apresentado casos frequentes. Inesperadamente, o vírus zika foi descoberto no Brasil em maio de 2015, na Bahia, trazido, provavelmente, por algum turista. Alguns especialistas acham que a introdução do vírus no Brasil se deu durante a maciça vinda de turistas na Copa do Mundo de 2014.
Transmissão e sintomas
Assim como o vírus da febre amarela, o vírus zika pode causar doença em seres humanos e macacos, sendo ambos reservatório para a contaminação de mosquitos da família Aedes. Assim como ocorre na dengue e na febre amarela, o mosquito não torna-se imediatamente um transmissor do vírus: após ser ingerido pelo mosquito, o zika vírus ainda precisa de cerca de 10 dias para multiplicar-se e migrar do sistema digestivo para as glândulas salivares do Aedes. Só a partir deste momento é que o mosquito passa a ser capaz de transmitir o vírus durante a picada. O vírus zika pode ser encontrado em fluidos biológicos, como leite materno, urina, sêmen e saliva. Porém, as pesquisas ainda são iniciais e, segundo os cientistas, não se pode afirmar que esses fluidos sejam, necessariamente, fontes de contaminação.
Após ser picado por um mosquito contaminado, o paciente leva de 3 a 12 dias para começar a apresentar os sintomas. Estima-se que apenas 1 em cada 5 pessoas contaminadas (20%) irá desenvolver sintomas. O quadro costuma ser de febre baixa, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, principalmente as pequenas, como dedos das mãos e dos pés, conjuntivite, dor nos olhos, fotofobia, coceira na pele e rash (erupções avermelhadas na pele). São sintomas menos comuns, mas também possíveis: dor abdominal, diarreia, prisão de ventre, aftas, tontura ou perda do apetite. Algumas pessoas queixam-se de coceira intensa. Com 2 a 3 dias, o rash começa a melhorar e desaparece dentro de 1 semana.
Considerada uma infecção benigna, a febre zika costuma durar de 2 a 7 dias e não provoca complicações hemorrágicas como a dengue. O quadro de dor nas articulações pode demorar até 1 mês para desaparecer. Assim como ocorre em outras viroses, uma das complicações possíveis da febre zika é o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma complicação de origem neurológica que causa progressiva e temporária perda de força muscular. A distinção entre a febre zika, a febre chikungunya e casos mais brandos de dengue apenas pelos sinais e sintomas é muito difícil de ser feita. Para tal, são necessários exames laboratoriais.