Uso de antidepressivos durante a gravidez aumenta em 87% o risco de autismo
O uso de antidepressivos durante a gravidez aumenta em 87% o risco de autismo para a criança. É o que mostra um estudo canadense publicado na segunda-feira, dia 14, nos Estados Unidos, no Journalofthe American Medical Association, Pediatrics. As conclusões do trabalho são importantes, já que de 6% a 10% das mulheres recebem a prescrição de antidepressivos, destacam os pesquisadores que analisaram os dados médicos de quase 150 mi1 grávidas.
Segundo pesquisadores liderados por Anick Bérard, professora da Universidade de Montreal e uma das mais reconhecidas especialistas do mundo na área de segurança de fármacos na gestação, o consumo desses remédios, particularmente, os da classe conhecida como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs, na sigla em inglês) ? que inclui marcas como Prozac, Zoloft e Lexapro ?, no segundo e terceiro trimestres da gravidez pode aumentar em até 87% os riscos do surgimento desse tipo de distúrbios em seus filhos.
"As diversas causas do autismo continuam a ser pesquisadas, mas os trabalhos demonstram que a genética e o ambiente podem ser fatores de risco", explica a professora Anick Bérard, da Universidade de Montreal e do Centro Hospitalar Universitário Sainte-Justine, principal autora do estudo. Foram acompanhadas quase 150 mil crianças desde a gestação até os 10 anos.
As diversas causas do autismo continuam sendo incertas, mas alguns estudos demonstraram que o genético e o ambiental podem ser fatores de risco, conforme apontam os responsáveis pelo estudo. A idade da mãe e a depressão também podem estar relacionadas ao surgimento do autismo, assim como alguns fatores sócio-econômicos como a pobreza.
Na pesquisa 1.054 crianças foram diagnosticadas com autismo a uma idade média de 4,5 anos, ou seja 0,72% da mostra estudada. A incidência do autismo entre as crianças aumentou: passou de 4 para cada 10.000 crianças em 1966 a 100 por cada 10.000 atualmente.