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Surto de microcefalia gera preocupação entre futuros pais

Por Redação

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Uma palavra que não fazia parte do vocabulário do brasileiro até pouco tempo ganhou destaque nos últimos dias e se tornou alvo de preocupação, especialmente para os futuros pais: microcefalia. Essa malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada, não era muito comum e, dentro da literatura médica atual, sua ocorrência estava ligada à diversas causas, como agentes químicos e infecções por toxoplasmose ou pelo citomegalovírus. Cada causador provocava um quadro típico, como alteração na visão, na audição ou em outros ór­gãos. Mas um crescimento exponencial no nú­mero de casos chamou a atenção, em especial, nos estados do nordeste. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de microcefalia saltou de 147, em 2014, para 739 neste ano, a maioria (487) em Pernambuco.

Desde então, uma verdadeira corrida para descobrir o que estaria causando o aumento no número de casos teve início e uma das hipóteses apontadas foi uma possível relação entre a doença e a presença do vírus Zika em gestantes - cogitada mais fortemente há pouco mais de uma semana, quando o Laboratório de Flavivírus, do Instituto Os­waldo Cruz (Fiocruz), no Rio, constatou a presença do vírus em amostras de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia. Segundo o Ministério da Saúde, apesar de ser um resultado importante, os dados atuais não permitem confirmar a relação da infecção pelo Zika com a microcefalia.  Essa correlação está sen­do investigada em parceria pelo governo federal e os estaduais.

Os primeiros casos de Zika no Brasil foram re­gistrados em maio de 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia. A Febre Zika é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti - mesmo transmissor da den­gue e da febre chikungunya. O vírus Zika teve sua primeira aparição registrada em 1947, quando foi encontrado em macacos da Floresta Zika, em Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros seres humanos foram contaminados, na Ni­géria. Até então, a doença não era considerada uma preocupação tão grande quanto a dengue, uma vez que seus sintomas são brandos e duram pouco tempo. Os maiores incômodos são febre baixa, coceira e comichão na pele, além de manchas avermelhadas. No entanto, a possível relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia já mudam completamente o quadro.

Doença desconhecida

A neuropediatra Vanessa Van der Linden defende que os novos casos dessa deformidade no cérebro revelam uma nova doença, já que fogem do padrão conhecido. "Se é provocada pelo Zika ou por outro vírus, ou outro agente, não sabemos. O que posso dizer é que os casos não seguem o padrão que a gente vê nas outras pacientes que têm infecção congênita e filhos com microcefalia", explicou Vanessa, do Hospital Barão de Lucena. Ela foi a primeira médica a buscar a Secretaria de Saúde de Pernambuco para alertar sobre o aumento do número de casos de crianças com o crânio menor que o normal. Segundo a médica, em muitos desses novos casos os recém-nascidos têm comprometimento do coração, "mas a amostra ainda é muito pequena para dizer que está relacionado à nova doença".

Saiba mais

A microcefalia é diagnosticada quando o perímetro da cabeça é igual ou menor do que 33 cm ? o esperado é que bebês tenham pelo menos 34 cm. Mas atenção: isso vale apenas para crianças nascidas a termo (com 9 meses de gravidez). No caso de prematuros, esses valores mudam e dependem da idade gestacional em que ocorre o parto. Em 90% dos casos a microcefalia vem associada a um atraso no desenvolvimento neurológico, psíquico e/ou motor. O tipo e o nível de gravidade da sequela variam caso a caso, e em alguns casos a inteligência da criança não é afetada. Déficit cognitivo, visual ou auditivo e epilepsia são alguns problemas que podem aparecer nas crianças com microcefalia.

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