Hospital São Vicente busca apoio para reabrir bloco cirúrgico

Ainda precisando
administrar prejuízos, a direção do Hospital São Vicente trabalha para
conseguir a reabertura do bloco onde eram realizadas pequenas cirurgias e
alguns procedimentos. A unidade foi interditada pela vigilância Sanitária para
que fossem feitas algumas adequações. Para isso foram iniciadas campanhas por
meio do telemarketing para reabrir o bloco.
De acordo com a
administradora do hospital, Maria Rufina Aparecida Lino Bernardino, colocar a
unidade, novamente, em funcionamento vai aumentar a receita do hospital.
“Será um ganho importante para nós. No serviço de telemarketing as pessoas
definem o valor e a data que melhor lhes atendem e o mensageiro vai buscar na
residência. Com ajuda da população é que o hospital está se mantendo de portas
abertas. As doações nos ajudam a pagar o plantão médico e, também, a compra de
materiais. E não é somente a doação em dinheiro. Um mantimento doado ao
hospital ajuda muito e as pessoas ainda podem contribuir com trabalho
voluntário”, afirma.
Maria Rufina lembra que
o hospital passou por uma situação financeira crítica e estava quase fechando
as portas. “Assumi o hospital no ano passado. Comecei como voluntária, e, hoje,
estou como funcionária, tentando ajudar a reerguer a instituição. Nosso caso é
complicado como em qualquer hospital filantrópico do país. Tivemos muita ajuda
da população e com a subvenção recebida no ano passado, de R$ 50 mil,
reformamos a fachada do hospital”, informa. Ela também destaca a ajuda
dos voluntários da Unimed na reforma da área pediátrica e disse que, hoje,
conta com funcionários da MRS, que estão reformando a enfermaria. Outro
colaborador importante é o grupo Amigos da Saúde. Segundo ela, são feitas
reuniões mensais e o hospital tem recebido grande apoio.
A Prefeitura de
Lafaiete também contribui. Por meio da contratualização é feito o repasse do
plantão médico. “A Prefeitura paga parte do valor do plantão com o repasse de
R$1,3 mil. Trabalhamos com recursos muito apertados e temos que negociar com fornecedores
quando há atrasos. É preciso fazer uma ginástica administrativa para manter os
serviços”, comenta.
Com dificuldades para
equilibrar as finanças, ainda não apareceu ninguém disposto a se candidatar a
provedor da entidade. A atual provedora, Maria Francisca de Souza Santos,
informa que ficará na função por mais 90 dias. “Estou à frente do hospital, há
dois anos. Neste mês, venceria o meu período como provedora. Trabalho aqui por
amor”, declara, ao relatar os problemas mais comuns. “São dívidas, muitos
empréstimos bancários. Pagamos um que contraímos junto à Caixa Econômica
Federal de R$ 18 mil mensais e temos outro de R$ 6 mil, que ainda estamos
pagando. E estamos batalhando para não precisarmos mais de empréstimos. E por
isso contamos com o apoio de toda a comunidade”, relata.
Segundo a provedora, no
serviço ambulatorial são atendidas em torno de 820 crianças por mês no São
Vicente. As internações variam conforme a época do ano. No período em que as
doenças respiratórias são mais intensas aumenta o número, mas em períodos como
no fim de ano até março caem as internações e automaticamente os recursos. Em
meio ao quadro, o hospital ainda precisa honrar com o pagamento dos 57
funcionários. “Quando assumi, íamos fechar mas lutamos muito e pensamos em
nosso próximo. Quando assumi, os médicos não recebiam há um ano. Os
fornecedores não estavam recebendo. Agradeço muito ao nosso conselho central,
que vendeu um imóvel para nos ajudar a recomeçar. Pagamos os médicos e outras
dívidas”, disse.
A assistente
administrativo Maria das Graças Silva destaca a necessidade de colocar um
plantão de internação e um plantão clínico que não temos. “Como o hospital não
tem condições de pagar um plantonista, estamos fazendo levantamentos. Vamos
visitar os secretários de saúde dos municípios vizinhos, para conseguir recursos,
porque o hospital atende a pacientes de várias cidades da região”,
adianta.
O Hospital São Vicente
fica situado à rua Cel. João Gomes, 4 - Santo Antônio, Telefone:(31) 3762-1388