Instituto destaca ligação histórica de Lafaiete com a Estrada Real

Lafaiete é uma das 11
cidades que serão pontos de carimbo do passaporte de turistas que passarem pela
rota turística da Estrada Real/Caminho Novo. Idealizado pelo Instituto Estrada
Real nos mesmos moldes de trajetos conhecidos, como o Caminho da Fé" (SP)
e o Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), o projeto visa a fomentar
ainda mais o desenvolvimento da rota turística, que inclui a cidade. Pelo
projeto, o turista que percorrer o caminho novo da Estrada Real passará por
pontos onde receberá um carimbo em seu passaporte. Completando a viagem com
pelo menos oito carimbos, o viajante receberá um certificado emitido pelo
Instituto Estrada Real.

O lançamento oficial do passaporte aconteceu em Juiz de Fora, em solenidade realizada na terça-feira, dia 28. Lafaiete esteve representada pela chefe de sessão de Turismo, Clarissa Maria Alves, e pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Alessandro Dalla Vedova, que destacou a criação de oportunidades para o turismo local: “Além da bela história que nossa cidade possui, estamos criando alternativas para manter os turistas aqui, como exemplo o Anda Lafaiete, que já ocorreu três vezes e tem previsão de nova caminhada para maio. Nossos contatos em diversas áreas fizeram com que Lafaiete conseguisse maior visibilidade também no turismo”, afirmou.
O passaporte
Para quem deseja se
aventurar pela região e desfrutar as belezas naturais, o primeiro passo é
retirar o passaporte. Para isso, o viajante terá que preencher um formulário
on-line na página da Estrada Real (www.estradareal.tur.br/passaporte). Assim
que começar a sua viagem – seja a pé, de carro, a cavalo ou de bicicleta – o
turista deve se dirigir a um dos postos de turismo específico (em Ouro Preto,
Paraty, Petrópolis, Tiradentes ou Diamantina) e retirar o documento, que tem
formato similar ao passaporte utilizado em viagens internacionais. Em cada
posto que passar, o turista receberá o carimbo gratuitamente. Em Lafaiete o passaporte já pode ser
carimbado na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, na praça Barão
de Queluz, 11, Centro e na Secretaria Municipal de Cultura, localizada no
Castelinho.
No mesmo link, o
viajante tem acesso a documentos em PDF com várias informações sobre o Caminho
Velho, Cainho Novo e Caminho dos Diamantes, que incluem os atrativos turísticos
de cada roteiro, dicas de como planejar a sua viagem, mapas, telefone e
endereço de hotéis, restaurantes, enfim: um guia indispensável para quem gosta
de estar bem informado e de não perder nenhum dos atrativos que o roteiro tem
para mostrar.
O formulário de
solicitação do passaporte tem validade de 60 dias a partir da solicitação. Na
hora de retirar o documento, é necessário levar um quilo de alimento não
perecível ou um uma peça de roupa, que será doado para uma instituição de
caridade.
Caminhos

Para garantir que o
turismo aproveite o máximo que a Estrada Real pode oferecer, os roteiros
planilhados permitem percorrer os caminhos com base nos marcos históricos
locais. E é no Caminho Novo, o mais jovem da Estrada Real, que Lafaiete está
inserida. O percurso guarda uma série de elementos da época das bandeiras e das
primeiras explorações do território. São túneis, chafarizes e fazendas, hoje
transformados em confortáveis meios de hospedagem, que resgatam construções e
costumes dos séculos XVIII e XIX.

Os 515 km do Caminho
Novo são divididos em 18 planilhas. Dos 515 quilômetros, 32% estão asfaltados
(166 km), e 5% são de trilha (25 km). Os outros 63% são de estrada de terra,
perfazendo 324 km. Cada um dos trechos reserva ao viajante possibilidades de
turismo que aliam atrativos naturais e culturais. No caso do viajante que optar
pelo Caminho Novo, são necessários oito carimbos, em cidades diferentes para
conseguir o certificado do Instituto Estrada Real.

O caminho de Ouro
Branco a Lafaiete é marcado por histórias que envolvem o inconfidente Joaquim
José da Silva Xavier, Tiradentes. Nesse trecho, encontra-se a antiga Fazenda
Carreiras, um local de criação, venda ou troca de cavalos e parada para aqueles
que faziam a viagem do Rio de Janeiro à Vila Rica pela Estrada Real. Com o
passar do tempo, o local ficou conhecido como Casa de Tiradentes, tanto pelo
fato de afirmarem que o alferes pernoitou por lá em 1788, durante sua viagem de
São João del-Rei a Ouro Preto, quanto pelo fato de D. Pedro II citar em seu
Diário de Viagem que lá se reuniram os inconfidentes. Apesar disso, a
documentação existente comprova somente que Tiradentes pernoitou na Estalagem
da Varginha, próxima à Fazenda Carreiras.

Cerca de 6 km à frente, o viajante passa pelo local onde ficava a Estalagem da Varginha. Nesse ponto, ainda resiste ao tempo uma antiga árvore gameleira, onde foi exposta uma das pernas de Tiradentes, após seu enforcamento e esquartejamento no Rio Janeiro. Seus restos mortais foram transportados pelo Caminho Novo da Estrada Real até Vila Rica.