<p style="text-align: justify;">O futebol mundial teve Garrincha como fantástico e autêntico ponta direita, mas o futebol brasileiro teve outro tão bom e considerado o primeiro e o maior de todos os tempos, depois de Garrincha. É o que informa o pesquisador e colaborador Jefferson Chaves. Paulista da capital, nascido em 1929, Júlio Botelho completaria 85 anos de vida dia 29 de julho, mas faleceu em janeiro de 2003, aos 73 anos, também em São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Apelidado de “Flecha dourada”, Julinho começou no Juventus/SP, em 1950. Em 51, foi para a Portuguesa/SP, onde ficou até 1955 e, em 191 jogos, marcou 101 gols. Em novembro de 51, marcou 4 gols na goleada de 7 a 3 sobre o Corinthians. Depois foi contratado pela Fiorentina/ITA, onde marcou mais 22 gols em 89 jogos. De volta ao Palmeiras, de 58 a 67, balançou as redes outras 81 vezes nos 269 jogos com a camisa do “palestra”. Depois de conquistar sua segunda Copa Rio/SP, foi contratado por US$5.500, na maior transação do Fiorentina naquele ano (55). E Julinho chegou com o título. A Fiorentina conquistou, em 55/56, seu primeiro campeonato italiano e seria vice-campeã nas duas temporadas seguintes. Mais tarde, em 96, Julinho foi homenageado como o melhor jogador na história da Fiorentina. Para Jefferson Chaves, também o maior do Palmeiras. Suas boas atuações o levaram à Seleção Brasileira. De volta ao Brasil, em 58, foi supercampeão paulista pelo Palmeiras, no time considerado a primeira “academia”, que derrotou o Santos de Pelé. Na sua despedida, já no Náutico, cedeu seu lugar ao peruano Galhardo aos 32 minutos. Quando o peruano errou o primeiro passe, o estádio inteiro gritou: “volta Julinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Botelho recusou a convocação para a Copa de 58, alegando que não seria justo, por não estar atuando no futebol brasileiro. Após receber o telegrama, informando que a delegação passaria na Itália, antes de chegar à Suécia, Julinho respondeu: “Nada me emociona mais que jogar pelo meu país, mas não acho justo tirar o lugar de um atleta que atue no Brasil”. Daí, o reserva Joel assumiu a titularidade e Garrincha (um jogador de nome esquisito do Botafogo) foi chamado para jogar a Copa. Já no dia 13 de maio de 59, Julinho foi convocado para enfrentar a Inglaterra, no Maracanã lotado. E ai, 160 mil torcedores vaiaram sua escalação, no lugar do já idolatrado Garrincha. Naquele amistoso, Julinho deu o passe para o gol de Henrique e marcou outro, um golaço, e foi aplaudido de pé. Na inauguração do Mineirão, o Palmeiras representou a Seleção Brasileira nos 3 a 0 contra o Uruguai e Julinho foi um dos destaques. Pelo Palmeiras, foi campeão paulista em 59 e 63, além da Taça Brasil de 60 e do Torneio Rio/SP, em 65. Pelo Brasil, ganhou o Pan-Americano de 56 e a Copa Roca, em 1960. (Amauri Machado)</p>
<p> </p>