<p style="text-align: justify;"><a href="images/stories/site/1208/jogosgd.jpg" target="_blank"><img src="images/stories/site/1208/jogos.jpg" border="0" style="float: left; margin: 5px;" /></a>O foco era a presença dos dois atletas no pódio e, de preferência, no topo; no ponto mais alto. Tudo foi feito para que isso acontecesse. A preparação começou em novembro do ano passado. Meta traçada, a dedicação foi total por parte dos atletas, que eram vistos constantemente em corridas e pedaladas pelas ruas e estradas da cidade. Ernani colocava em disputa o título de Campeão Brasileiro de Duatlhon, alcançado lá mesmo, em Porto Alegre. Já Daniel treinou muito para melhorar sua quinta posição.<br /><strong><br />Viagem perfeita</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><br />Tudo programado e nossa equipe seguiu com a delegação para o Rio Grande do Sul. Viagem para BH na quinta-feira, dia 10, saída do voo para São Paulo bem cedo na sexta-feira, conexão feita e chegada a Porto Alegre para o almoço. Para uns, o churrasco. Mas para Daniel, o controle nutricional só liberou cardápio vegetariano. Tudo dentro da programação nutricional dos atletas.<br />A tarde chuvosa era prevista, o que fez com que Ernani e Daniel ficassem confinados no hotel. As pedaladas no percurso de bike, às margens do Rio Guaíba, foram abortadas. O risco de um resfriado fez com que toda a programação fosse refeita e transformada em seções de alongamentos no quarto do hotel. Prevenindo-se contra algum “esperto” concorrente, foi solicitado na portaria isolamento total para os atletas. Apesar da “antena” ligada, nossa equipe foi liberada para conhecer a capital gaúcha, suas histórias e artes. O que mais chamava a atenção era o artesanato, a arte e a música livre que rolava na Praça da Alfândega. <br />Pietro dava um show de guitarra solo, mais à frente, uma dupla entoava um “country”, ao som de violão, gaita e um instrumento com cordas metálicas sobre madeira, tocados com dedais, parece que criado pelo próprio percursionista, além de um grupo de reggae na avenida Andradas, no centro comercial. A catedral, monumentos aos heróis gaúchos, um viaduto “decorado” numa arquitetura em estilo europeu, o mercado público... e muito mais.<br />À noite, um giro pela cidade, indo ao encontro de outros atletas. Uma reunião multinacional entre atletas numa pizzaria. Ernani, Daniel, os paranaenses Thiago Assad e Francisco Viana e Lucia Moyano, (foto) de Santiago Del Estero ao norte da Argentina trocavam faziam a resenha sobre a prova e outras competições. O goiano Sony Anderson chegou depois e reclamou que teve instrumentos de sua bike roubados após o despacho da bagagem. Fechada a sexta-feira, no retorno ao hotel por volta das 21h30, observei a tranquilidade e até um certo relaxamento dos atletas. <br /><strong><br />O sábado</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><br />Manhã de sábado, café às 9h e o destino era o Congresso Técnico, às 10h. Ernani chegou ao saguão do Hotel Embaixador e foi cercado por vários competidores, curiosos em obter informações com o campeão. Foram passados os dados do regulamento e o número 1 para da competição. <br /><br /><strong>Brasileiro de Duatlhon</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><br />Enquanto os atletas se dirigiam ao local de largada, nossa equipe seguiu até o estádio Beira Rio. Afinal, ali teremos jogos da Copa do Mundo. Sabíamos que as obras ainda estavam sendo feitas, porque o Internacional não conseguiu autorização para mandar a final contra o Grêmio em seu estádio e a partida foi levada para Caxias. Assim, o taxista se mostrava animado com a possibilidade de seu Grêmio ficar com o título. Feitas as observações, seguimos correndo, margeando o Guaíba, por 3 km.<br />Dada a largada do Campeonato Brasileiro de Duatlhon para os 10 mil km iniciais de corrida. Queiroga, o 13, abriu vantagem de mais de um minuto, mas na transição Ernani trouxe a diferença para 56 segundos numa “operação” perfeita, onde muitos atletas perdem tempo precioso. Seriam então oito voltas (40 km) e já na terceira, o “13”, que corria sozinho, passou a ter dificuldade com o vento forte lateral, vindo do Guaíba. Na 6ª volta, a diferença para o pelotão passou a ser visual e Queiroga acabou tendo sua “fuga” neutralizada pelo grupo em que Ernani estava, bem escondido, sempre como o segundo do bloco. E assim foi até a nova transição, quando os atletas fizeram juntos. Veio novamente a corrida e ai a juventude de Queiroga -15 anos a menos – falou mais alto e ele fechou a prova e os últimos 5km em primeiro lugar.<br />Ernani chegou junto com outros atletas de outras categorias, o 3º geral, mas com o título de vice-campeão assegurado.<br />O cearense Queiroga tem 23 anos, é atleta profissional e está atualmente em São Carlos/SP inscrito pela equipe do Sesi. Enquanto Ernani de Souza já pensava no retorno para casa e a apresentação no trabalho normal, na segunda-feira.<br /><br /><strong>Um campeão</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><br />A prova seguia e na 12ª colocação chegou policial militar Daniel Gomes. Uma boa colocação na geral, mas o mais importante é que ali chegava também o campeão brasileiro na faixa 30/34. Daniel fez uma corrida técnica, sempre “escondido” no pelotão de sua faixa e provocando os adversários para uma desgarrada, Gomes administrou até o bote final. No decorrer da prova, Daniel ouvia um grito solitário: “Vai Daniel. Tá bem. Vai”. Atento, ele sinalizou para nossa reportagem, que não mais gritasse seu nome, já que ele estava escondido de seus adversários, para no final superá-los com sobra e garantir o título. Ao cruzar a linha, Daniel caiu de joelhos e agradeceu a saída de 5º melhor do Brasil em 2013, para campeão nacional em 2014. “Foi uma prova bem calculada e cheia de detalhes. Até pedi para você não impulsionar mais, porque eu estava escondido. Estou muito feliz. Valeu todo o esforço nos últimos cinco meses e o apoio da família, dos companheiros e amigos. Aradeço a você também, que veio nesta viagem e que nos acompanha ha tempos”, destacou o campeão. <br />Nos voos de volta, os troféus, transportados fora das bagagens, despertavam a curiosidade na conexão Rio de Janeiro e na chegada a Confins. (Amauri Machado)</p>