Procura por exames de câncer de intestino dispara no SUS
Número de testes de rastreamento cresce até 190% em uma década e reforça importância do diagnóstico precoce
Especialistas apontam que o crescimento está diretamente ligado ao aumento da conscientização promovida pela campanha.
A campanha Março Azul tem contribuído para um avanço significativo na prevenção do câncer de intestino no Brasil. Dados recentes apontam que o número de exames realizados pelo Sistema Único de Saúde praticamente triplicou ao longo da última década, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce da doença.
Entre 2016 e 2025, os exames de pesquisa de sangue oculto nas fezes saltaram de 1.146.998 para 3.336.561 procedimentos, um crescimento de cerca de 190%. Já as colonoscopias passaram de 261.214 para 639.924 no mesmo período, representando um aumento aproximado de 145%. Em 2025, o maior volume de exames foi registrado em São Paulo, com mais de 1,1 milhão de testes. Na sequência aparecem Minas Gerais e Santa Catarina. Por outro lado, estados como Amapá, Acre e Roraima apresentaram os menores volumes.
Especialistas apontam que o crescimento está diretamente ligado ao aumento da conscientização promovida pela campanha. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Eduardo Guimarães Hourneaux, a mobilização nacional tem incentivado a população a buscar atendimento preventivo e realizar exames de rotina. Casos envolvendo figuras públicas também ajudaram a ampliar o debate. A cantora Preta Gil, por exemplo, tornou público seu diagnóstico, o que contribuiu para aumentar a procura por exames. Entre 2023 e 2025, o número de testes de sangue oculto nas fezes cresceu 18%, enquanto as colonoscopias aumentaram 23%.
Promovida desde 2021 por entidades médicas, a campanha envolve instituições como a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Federação Brasileira de Gastroenterologia, com apoio de organizações da área da saúde. Apesar dos avanços, o alerta permanece. O Instituto Nacional de Câncer projeta aumento das mortes prematuras por câncer de intestino até 2030, impulsionado pelo diagnóstico tardio e pela baixa cobertura de exames em parte da população. A ampliação do acesso aos exames e a conscientização sobre a importância da prevenção seguem como fatores decisivos para reduzir os impactos da doença no país.
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Fonte: Agência Brasil