Aleijadinho é homenageado na sala dos Grandes de Minas do Palácio da Liberdade
Pela primeira vez, um retrato de um afrodescendente ocupa um espaço na Sala dos Grandes de Minas, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. O quadro de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), patrono das artes no Brasil, foi entronizado na quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, em uma cerimônia marcada pela reparação histórica e pelo reconhecimento do legado do mestre do Barroco.
O retrato de Aleijadinho foi colocado ao lado de figuras históricas como Santos Dumont, Tiradentes e ex-governadores de Minas Gerais, incluindo Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. O secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Leônidas Oliveira, destacou o simbolismo dessa homenagem: "Fazemos, agora, uma reparação histórica. Pela primeira vez, um mestiço participa da galeria na qual se encontram os grandes da nossa história."
Aleijadinho, filho do português Manuel Francisco Lisboa e da negra alforriada Isabel, nasceu em Ouro Preto, onde, na segunda-feira (18), foram celebrados os 210 anos de sua morte e o Dia do Barroco Mineiro. O retrato do artista, uma obra do Arquivo Público Mineiro/Secult, foi pintado no século 19 por Euclásio Penna Ventura. Originalmente um ex-voto, o quadro foi vendido em 1916 para um comerciante de Congonhas e, após diversas transações, foi reconhecido oficialmente como a imagem de Aleijadinho pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 1972.
O quadro, de óleo sobre pergaminho, mede 20 cm por 30 cm e retrata um homem mestiço bem vestido, sendo um dos poucos registros visuais do artista. Aleijadinho é lembrado principalmente pelas suas obras em Congonhas, como os profetas em pedra-sabão e as esculturas nos Passos da Paixão de Cristo, no
Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, foi realizada uma cerimônia de entrega da declaração de inscrição dos reinados e congados no Livro de Expressões do Patrimônio Cultural de Minas, na Casa da Cultura Negra, em Ouro Preto. A solenidade contou com a presença de representantes da Comissão Ouro-pretana de Folclore, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e da Prefeitura de Ouro Preto, reforçando o valor cultural e histórico dessas manifestações no estado.