Chega ao fim no dia 16 o que pode ser o último horário de verão
Ministério de Minas e Energia não vê mais vantagem significativa financeira; conheça os prós e contras
Para a alegria de uns e tristeza de outros, termina a 0h de sábado, dia 16, o horário de verão. A partir desta data, os relógios devem ser atrasados em 1h. Com isso, as tardes ficam mais curtas e quem preza um bom descanso ganha, em tese, uma horinha a mais de sono. Até o momento, não há certeza de que essa prática seja também adotada entre 2019/2020. A decisão estará nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Isso porque estudos realizados em 2017 pelo Ministério de Minas e Energia, em parceria com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), apontaram que a economia do período não é mais significativa do ponto de vista energético.
O motivo é a mudança do padrão de consumo da população, que passou a gastar mais energia entre 14h e 15h, deslocando assim o pico de consumo, anteriormente registrado das 17h às 20h. Segundo a nota do Ministério, "As mudanças nas posses e hábitos de consumo brasileiros, verificadas nos últimos anos por meio da alteração do perfil da curva de carga de energia elétrica, estão bastante associadas à maior participação de equipamentos de climatização de ambientes e à evolução tecnológica da iluminação residencial e pública. Desta forma, metodologias de avaliação de impacto da aplicação da política pública do Horário de Verão devem necessariamente considerar também a temperatura como variável explicativa".
Presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Salles afirma que acabar com o horário de verão é uma decisão muito mais política do que energética. “Existe uma economia pequena [de energia], mas que não é desprezível. Por outro lado, não é tão grande assim que tenha que ser imposta se houver algum custo para a sociedade". Salles comenta que, hoje, diversos estabelecimentos comerciais usam ar condicionado, por exemplo. As mudanças dos hábitos fizeram com que o pico de uso da energia, que antes acontecia no começo da noite, fosse diluído ao longo do dia. Os momentos de pico são os que mostram se o sistema tem capacidade suficiente para suprir a demanda.
Esse impasse já vem de algum tempo. Em 2017, a equipe do presidente Michel Temer estudou acabar com o período devido aos estudos do Ministério de Minas e Energia, mas não tomou a decisão. Em 2019, a equipe de governo de Bolsonaro será a responsável por decidir se o horário de verão deve permanecer ou acabar. Além de Minas Gerais, os estados que tiveram de se adequar ao horário foram Distrito Federal (DF), Goiás (GO), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Paraná (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Sul (RS), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) e Espírito Santo (ES).
Sobre o horário
de verão
A prática de adiantar o relógio no verão (quando os dias são mais longos e a luz do Sol fica disponível por mais tempo) foi criada em 1885 e adotada pela primeira vez em 1916, na Alemanha – era um jeito de diminuir os gastos do país com combustível, usado para produzir energia elétrica durante a 1ª Guerra Mundial. No Brasil, a medida foi decretada durante o governo Vargas no ano de 1931 em todo o território (atualmente vigora apenas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Hoje, mais de 70 países adotam o horário de verão ao redor do mundo, cada um com suas próprias regras. Os países que ficam na linha do Equador, por exemplo, não utilizam a prática, já que há pouca diferença entre a duração dos dias e das noites.
Prós
Adiantando o relógio, o sol se põe mais tarde e a luz natural fica disponível por mais tempo.
O dia mais longo incentiva a população a praticar caminhadas e outros esportes ao ar livre, e também a visitar parques e outras atrações turísticas depois do horário de trabalho.
Contras
Estudos realizados em parte dos EUA, Austrália e Japão perceberam o aumento do consumo de energia em até 3% no horário de verão. Isso pode ser causado pela energia extra utilizada de manhã, já que o sol demora mais para nascer.
O vaievem dos ponteiros interfere em nosso relógio biológico, compromete a qualidade do sono e aumenta as chances de problemas cardíacos em até 10% nos primeiros dias de adaptação ao novo horário.