Redução no horário das creches pode obrigar mães a deixarem seus empregos
Mães que têm os filhos nas creches municipais de Lafaiete tiveram uma surpresa não muito boa no último dia de aula do ano passado. Um aviso colado na porta das instituições informava o horário de funcionamento para 2019: das 8h às 16h. O problema é que a redução de 1h30 no atendimento às crianças pode inviabilizar a permanência de muitas mães no trabalho. Segundo relatam, até o final de 2018, seus filhos ficavam sob os cuidados dos profissionais da educação das 7h30 às 17h e, mesmo assim, já era necessário se desdobrar conciliar a os horários de buscar e deixar as crianças e o de trabalho.
O ano letivo já começa na segunda-feira, dia 4. Muito preocupadas, as mães iniciaram um abaixo-assinado para que o horário não seja alterado: "Minha filha está na creche do Alto Vista Alegre (Guarani). Reduziram o horário das creches, que antes era de 7h30 as 17h, para 8h às 16h. Mas que mãe que trabalha das 8h30 às 15h30? Então, queremos ver se tem como manter o horário do ano passado", conta A.C., 36 anos.
A moradora do São Dimas também alerta que, ao longo dos anos, a carga horaria está se tornando cada vez menor: "Antigamente, a creche funcionava das 6h30 às 18h. De 5 anos para cá, o horário vem sendo diminuído. A justificativa que dão é que uma lei federal fixa que a creche teria que seguir o horário de uma escola normal de horário integral. Mas, nessas escolas, as crianças entram 7h40 e saem 16h40. Então, esse horário também não bate com o que estão reduzindo nas creches".
Também segundo a mãe, a falta de verba foi uma das justificativas: "Alegaram que a prefeitura está sem verba e que vem reduzindo o horário para construir mais escolas. Mas, nesses 5 anos, reduziram o horário sem promover melhorias na Educação. Pelo contrário, não inauguraram a creche na Marechal. Então, melhorias que não existiram não podem justificar esses cortes".
Segundo A.C., muitas mães estão sendo prejudicadas: "Temos um grupo de mais de 100 mães. Estamos fazendo um abaixo-assinado. Também já nos reunimos com vereadores e com o prefeito para ver se podem voltar ao horário habitual. A resposta da Câmara foi que iriam deixar a primeira semana de aula começar para fazer o levantamento de quem realmente trabalha", questiona.