Crise sem fim deixa mais de 35 mil lafaietenses com o nome sujo na praça
Desemprego, queda no rendimento, situações de urgência e até gastos sem
planejamento. O fato é que, por diferentes razões, um em cada três
lafaietenses começou o ano com uma preocupação de tirar o sono. Segundo
o levantamento realizado pelo setor de Economia do SPC Brasil,
estima-se um total de 35.178 consumidores inadimplentes no município de
Conselheiro Lafaiete. Esse número representa nada menos que 37% da
população com mais de 18 anos. E o pior: segue aumentando: "O número de
inadimplentes no município cresceu 0,57% em 2018, na comparação com
2017. Desde meados de 2018, esse número vem crescendo, mas cresce menos
do que crescia no período mais agudo da crise", pondera o setor,
responsável pelo suporte e monitoramento dos dados concretos das CDLs.
O
motivo, o país conhece de cor. Mesmo com a lenta recuperação econômica
em curso, as famílias sentem os efeitos da crise. Ainda há mais de 12
milhões de desempregados, segundo o IBGE, e a renda média do brasileiro
segue estagnada na comparação com os níveis de antes da crise. "Esse
quadro ainda afeta a capacidade de pagamento das famílias. Além disso,
há a carência de princípios básicos de educação financeira, que faz
muitos consumidores negligenciarem a importância do controle sistemático
das finanças e a usarem o crédito de maneira inadvertida", adverte.
E
não há como números tão significativos não impactarem, de maneira
negativa, na economia da cidade. Com o nome sujo na praça, o consumidor
fica com acesso restrito ao mercado de crédito. Assim, ao tentar fazer
uma compra parcelada ou solicitar um empréstimo, pode ter seu pedido
negado. E se o alerta para um consumo mais consciente ainda não foi
ligado, essa é a hora: "É importante que a negativação seja tomada pelo
consumidor como um sinal de que precisará estabelecer prioridades e
realizar um controle mais efetivo dos seus gastos, pois enquanto a
pendência não for quitada, além da restrição no nome, a dívida vai
crescendo com o acréscimo da cobrança de juros", alerta o SPC Brasil.
A
partir daí, surge um efeito cascata. O endividamento excessivo reduz o
consumo por, basicamente, duas vias: consumidores decidem frear os
gastos para controlar as dívidas; e comerciantes decidem restringir a
conceder crédito mediante o risco maior da inadimplência. "Se a
inadimplência cresce, o comerciante pode ter problemas de fluxo de
caixa, pois deixa de receber recursos com os quais já contava. Além
disso, pensando na economia de maneira geral, o elevado contingente de
inadimplentes retarda a recuperação econômica, pois o consumo das
famílias tem grande peso na demanda pela produção interna do país",
explica o setor de economia do SPC Brasil.