Sem recursos, projeto Roda Moinho pode deixar de existir
Hoje, o Roda Moinho atende a menos da metade das crianças e adolescentes que no passado. O principal motivo apresentado pela instituição é a escassez de recursos, que até chegam a ser direcionados, mas esbarram na falta de apoio do poder público e das entidades que fazem parte do conselho. Isso porque, segundo estima do presidente da entidade, Geraldo Rodrigues dos Santos, há cerca de R$800mil parados, enquanto mais de 120 crianças deixam de ser atendidas. Voluntário no projeto desde 2009, Geraldo Rodrigues dos Santos ainda mantém a esperança de reverter o quadro. "Não recebemos verba nenhuma do município desde 2016. Os recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA) também não estão chegando. Em 2017, recebemos uma emenda parlamentar com a qual estamos pagando a professora de dança e a terapeuta ocupacional, mas o que está mantendo as 86 crianças é a doação da sociedade. Hoje, encaramos uma triste realidade: se algo não for feito, não poderemos abrir matrículas para o próximo ano", informa.
O diretor executivo do projeto explica que, com o novo marco regulatório, ficou mais difícil para as entidades sociais receberem os recursos de empresas: "A Lei nº 13.019/2014, que regulamenta a transações entre o Poder Público e as entidades, entrou em vigor em 2015 na esfera federal, em 2016 no estado e em 2017 nos municípios. Com essa lei veio uma série de problemas", explica. Com a nova lei, para que uma entidade receba o recurso, é necessário que o município faça um levantamento das demandas sociais, como, por exemplo, analfabetismo e evasão escolar: "Antes, o projeto recebia recursos da Gerdau, MRS, CSN e Vale, por meio de projetos de renúncia fiscal. As entidades faziam projetos, o Conselho da Criança aprovava, esses projetos seguiam para a prefeitura e o recurso era liberado o pelo Fundo da Infância e Adolescência. Com o marco regulatório, foi criado outro sistema. É necessário que a prefeitura tenha um diagnóstico da necessidade do município. Após avaliar os problemas, lança-se um edital, um chamamento público das entidades, que, então, apresentam seus projetos. Os que se enquadrarem são contemplados com a verba do FIA. Essa a única forma de receber".