Matrículas em cursos EAD cresceram mais do que em presenciais, afirma estudo
Os cursos na modalidade EAD registraram um número total de matrículas maior do que os cursos presenciais em 2017, diz o censo do setor publicado pela Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed) no final de outubro. Enquanto 49% das instituições de ensino do país disseram que receberam mais alunos interessados em estudar sem a necessidade da frequência física ? como cursos livres EAD ou especializações ?, 11% disseram que registraram mais matrículas presenciais. A expansão se explica, em parte, porque o Ministério da Educação (MEC) modificou a forma de regulamentação do setor em 2017, deixando de exigir, por exemplo, o apoio presencial para cursos totalmente a distância. Instituições já regulamentadas na pasta foram autorizadas a ampliar a oferta de pólos sem a aprovação direta pelo ministério, o que antes chegava a levar quatro anos. No entanto, para a professora Vani Kenski, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), há outro fator que ajuda a entender o crescimento das matrículas EAD no país: o preço. Segundo ela, os dados indicam que cursos a distância chegam a ter valores 50% menores dos presenciais. O censo da Abed sugere que programas totalmente a distância e semipresenciais são os que possuem valores de mensalidade mais baixos. "A EAD hoje é a opção educacional de mais baixo custo para os estudantes", explica Kenski. De acordo com ela, uma das possíveis causas dos valores mais baixos dos cursos EAD é sua produção em massa. O oferecimento das mesmas aulas ? conteúdos e atividades ? em grande escala resulta no barateamento da sua produção e, consequentemente, na redução dos custos, que se refletem em preços mais baixos para as mensalidades. Um segundo fator para o barateamento das mensalidades é, para Kenski, a maior concorrência entre as instituições de ensino superior (IES) que já atuam em EAD. "Elas se expandiram nos últimos tempos e se apresentam como opções de formação em nível superior nos mais diversos espaços brasileiros", diz. "Muitas instituições concorrentes estão presentes em cidades médias e pequenas, com polos localizados nos mesmos bairros ou em locais próximos. Nessa situação, a disputa pelos alunos da região é intensificada e causa reflexos no oferecimento de cursos com mensalidades mais baratas. Mesmo nas grandes cidades, o grande número de ofertas de cursos a distância gera processos diferenciados de conquista de maior número de estudantes, por meio de preços mais atraentes e outros benefícios", completa. Há ainda um terceiro fator para os preços mais baixos dos cursos EAD: a expansão do acesso à Internet pelos brasileiros. A tecnologia digital via satélite, adotada inicialmente nos cursos a distância, era muito mais cara, o que aumentava ? e até equiparava os preços de cursos online e presenciais. "Tratava-se principalmente da transmissão síncrona de aulas para estudantes que precisavam comparecer presencialmente aos polos para assistir às apresentações", comenta Kenski. "A expansão da internet e dos serviços de banda larga reconfiguraram esse modelo de EAD, barateando-o significativamente. Aspectos significativos dessa mudança tecnológica estão ligados aos usos de tecnologias móveis e plataformas virtuais assíncronas, que alteraram o formato das aulas e as condições de acesso, participação e presença dos estudantes", conclui. Em 2016, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o acesso à web estava presente na maioria dos domicílios em todas as grandes regiões do país. Os dados mostram ainda que 99,6% da população brasileira de 10 anos ou mais de idade acessa a Internet em banda larga, fixa ou móvel. "Com a expansão do acesso e o aumento da velocidade, textos, filmes, vídeos e animações são facilmente acessíveis pelos alunos na web", finaliza a professora.