Igreja Católica pede que fiéis não deixem de votar
Documento das pastorais divulgado nesta semana diz que população não pode ?lavar as mãos e nem buscar refúgio na neutralidade?

"Neste momento dramático, em que estão em risco o presente e o futuro de nossa nação, não podemos "lavar as mãos", nos omitir, nem buscar refúgio na neutralidade. O momento exige solidariedade com os empobrecidos, oprimidos e marginalizados. Para tanto, propomos construir um programa que seja uma referência e orientação para nossa gente nas eleições e que possa movimentar a espiral de cidadania e do bem comum". Assim os movimentos pastorais da Igreja Católica se manifestaram, nesta semana, sobre as eleições gerais de 7 de outubro.
Ainda segundo o documento, assinado pela Cáritas Brasileira, Comissão Brasileira Justiça e Paz, Comissão Pastoral da Terra, Conferência dos Religiosos do Brasil, Conselho Indigenista Missionário, Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Conselho Pastoral dos Pescadores, Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA), Pastoral Carcerária e Pastoral Operária, a igreja pretende que os eleitos se comprometam a rever alguns pontos e a lutar por outros, logo após o pleito, a saber: Revogação das mudanças aprovadas na CLT que retiram direitos trabalhistas, reversão das privatizações executadas e fortalecimentos das empresas públicas, revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos sociais por 20 anos.
As entidades da igreja ainda pediram, no documento, a realização de uma auditoria cidadã da dívida pública, que consome aproximadamente metade de todo o orçamento público brasileiro, realização de reforma tributária que combata a desigualdade, taxando as grandes fortunas, as grandes heranças, os dividendos de grandes empresas e do sistema financeiro; reversão das isenções fiscais e do perdão de dívidas e cobrança dos impostos devidos por grandes empresas e retomada dos programas sociais nos moldes anteriores a 2016, reforçando-os e universalizando-os.
Reforçam e pedem respeito à presunção da inocência e a Constituição que garante que a prisão somente deve ocorrer quando todos os recursos e instâncias tenham se esgotado, além de mobilizar a sociedade para uma ampla reforma do estado, que estimule mecanismos de participação direta, promova a democratização e a pluralidade dos meios de comunicação e garanta o pleno respeito aos direitos humanos e a implementação do direito a demarcação das terras indígenas e quilombolas e realização de uma reforma agrária ampla e popular, com incentivos à produção agroecológica e agroflorestal e à comercialização de alimentos saudáveis para toda a população brasileira."