Contra atrasos nos repasses do Estado, AMM confirma mobilização geral para 21 de agosto

Basta! Chega de confisco! Se o
Estado não pagar, as prefeituras vão parar". Com esse mote, a Associação Mineira
de Municípios (AMM) convoca todos os prefeitos e servidores públicos municipais
a participarem da grande mobilização que será promovida em Belo Horizonte, e,
também no interior, no dia 21 de agosto.
Na capital mineira, prefeitos
e prefeitas irão se concentrar, a partir das 13h, a na Cidade
Administrativa, de onde seguirão, em carreata, até o Palácio da Liberdade. No
interior, acontecerão manifestações locais dos servidores públicos municipais
nos 853 municípios mineiros.
Com essa mobilização,
a AMM pretende denunciar à sociedade a caótica situação
financeira das prefeituras mineiras, decorrente dos constantes atrasos nos
repasses do governo do estado. A dívida com os municípios mineiros já chega a
R$ 7,6 bilhões e as prefeituras já não têm mais como arcar com os serviços
básicos e essenciais à população. A mobilização busca cobrar uma postura firme
do Estado no sentido de pagar o que é devido, em especial, o repasse do Fundo
da Educação Básica. A dívida já ultrapassa R$ 2 bilhões, o que inviabiliza o pagamento
dos servidores do setor nos municípios.
Antes dessa data, as
associações microrregionais, juntamente com as prefeituras mineiras, estão
promovendo várias paralisações em diferentes regiões do estado, evidenciando a
realidade local, com apoio da AMM. O objetivo dos movimentos é evitar
um colapso nos caixas das prefeituras mineiras e paralisação de serviços em
todas as áreas fundamentais ? saúde, educação e assistência social ? as mais
afetadas pela falta de repasses de recursos do estado aos municípios.
"Precisamos da união de todos.
A partir de agosto, eu, como todos os demais prefeitos, não terei como
quitar todos os compromissos financeiros do meu município. Precisamos nos
mobilizar e mostrar à população o que está acontecendo, pressionar o governo de
Minas e acabar de vez com essa dívida, pois o dinheiro do Fundeb é nosso,
constitucionalmente, de direito dos municípios. Recebemos o ICMS apenas por
causa das ações movidas pela AMM em conjunto com os municípios. E,
mesmo assim, o estado já voltou a confiscar esse repasse semanal. Temos que dar
um basta nisso!", afirmou o presidente da AMM, e prefeito de Moema, Julvan
Lacerda.
Fundeb
Até o dia 21 de agosto,
os prefeitos devem se reunir com os conselhos do Fundeb e professores para
apresentar a situação dos seus municípios com o atraso dos repasses do estado
para o Fundo.
Nota
A Secretaria do Estado de
Governo de Minas Gerais emitiu nota se posicionando: "Apesar de lidar com
um déficit de R$ 8 bilhões nas contas do estado e de enfrentar a grave crise
econômica, que atinge não somente Minas Gerais, o governo do estado vem
cumprindo, dentro das possibilidades financeiras, as obrigações com os
municípios. Todos os esforços estão voltados, desde o início desta
administração, a honrar os compromissos em todas as regiões do estado.
Ainda que diante das
dificuldades impostas pelo governo federal, que além de não repassar
devidamente recursos ao estado, bloqueia as contas de Minas Gerais, a atual
administração segue firmemente com o propósito de garantir a continuidade dos
serviços e do trabalho realizado pelos municípios mineiros.
Da mesma forma, o Governo de
Minas não tem medido esforços para honrar os compromissos com os servidores
públicos estaduais e tem colocado como prioridade a quitação da folha de pagamento
de ativos e inativos. É de conhecimento público que há, também, um déficit
enorme na previdência pública do estado que os governos anteriores não tentaram
resolver e o problema se acumulou. Mesmo assim, esta administração tem honrado
com o pagamento dos servidores ativos e inativos, apesar do escalonamento. Isso
tem sido tratado de forma transparente, com diálogo com dirigentes de
instituições que representam os servidores, sem utilizar de artifícios político
eleitoreiros de ataque gratuito ao governo do estado, em momento que deveria
ser de trabalho e equilíbrio para vencer a grave crise por que passa todo o
país".