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Desatenção e hiperatividade podem ser sinais de transtorno

Por Redação

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Os pais devem estar atentos. Impulsividade, hiperatividade e desatenção podem ser sintomas de um problema que afeta entre 3% e 5% das crianças em idade escolar: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). De acordo com a psicóloga especialista em Neuropsicologia Clí­nica Márcia Delmare de Oliveira Peixoto, quando os sintomas trazem reflexos negativos no convívio social e familiar, assim como no desempenho escolar ou profissional, é hora de procurar um especialista. "O TDAH é um transtorno neurobiológico e neurocomportamental, com grande participação genética. Tem início na infância e pode persistir na vida adulta. Esses sintomas podem se manifestar em diferentes graus de comprometimento e intensidade, com prevalência maior entre meninos", explica.
Segundo Márcia Delmare, a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não está associado a fatores culturais, nem ao modo como os pais educam os filhos ou resultado de questões psicológicas. "A predisposição genética é a principal causa do TDAH, sendo que a prevalência entre os familiares de crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população geral. Estudos evidenciam, também, a ocorrência de alterações nos neurotransmissores (dopamina e noradrenalina) que estabelecem as conexões entre os neurônios na região frontal orbital do cérebro. A região frontal é responsável pela inibição e controle de comportamentos, capacidade atencional, memorização, autocontrole, organização e planejamento. Estas funções cognitivas estariam alteradas em pessoas com TDAH", argumenta.

Principais tipos de TDAH

Os pacientes podem apresentar três diferentes tipos de TDAH: com predomínio de sintomas de de­satenção, com predomínio de sintomas de Hi­pe­ratividade/Impulsividade e combinado. Quan­do predomina a desatenção, os pacientes apresentam dificuldade maior de concentração, de organizar atividades e seguir instruções. "São pessoas que se distraem com facilidade e, frequentemente, esquecem o que tinham para fazer ou onde colocaram seus pertences. Não conseguem prestar atenção em detalhes, demoram para iniciar as tarefas e cometem erros por descuido e distração, o que pode prejudicar o processo de aprendizagem e a atuação profissional", situa Márcia Delmare.
Nos casos em que prevalece a hiperatividade e impulsividade, os pacientes são inquietos, agitados e falam muito. "Dificilmente conseguem participar de atividades que exigem permanência em um local por um tempo maior e manter silêncio durante as brincadeiras ou realização de trabalhos. São impacientes, agem sem pensar, têm dificuldade para ouvir as perguntas até o fim, são precipitados para falar e se intrometem nos assuntos, conversas e atividades alheias. Já nos casos mistos, há presença de sintomas de desatenção e de hiperatividade/impulsividade na mesma proporção", explica Márcia Delmare.

Diagnosticando
a doença

A neuropsicóloga alerta, ainda, para o cuidado na hora de fazer o diagnóstico.  Isso porque, conforme explica, pessoas perfeitamente saudáveis podem apresentar agitação (hiperatividade), impulsividade e/ou desatenção em algum momento da vida. "A manifestação desses sintomas de forma isolada e pontual não significa que uma criança, adolescente ou adulto tenha o transtorno. Além disso, esses sintomas podem estar presentes de maneira semelhante em problemas como a ansiedade, depressão, transtorno afetivo-bipolar, deficiências cognitivas e de aprendizagem, além de disfunções comportamentais". É muito frequente, também, ocorrência de mais de um problema ao mesmo tempo, que são as comorbidades. "Um Diagnóstico Diferencial irá avaliar as queixas numa perspectiva mais ampla, investigando todas as possíveis condições que possam estar causando o sofrimento", orienta.
Apesar de estar presente desde o nascimento, via de regra, o problema se torna claro nos primeiros anos escolares. Para efeito de diagnóstico, os sintomas devem manifestar-se na infância, antes dos 7 anos, pelo menos em dois ambientes diferentes (casa, escola, lazer, etc.), durante seis meses, no mínimo. Devem, também, ser responsáveis por desajustes e alterações comportamentais que dificultam o relacionamento e a performance dos portadores nas mais diversas situações. "Avaliações precipitadas podem dar origem a falsos positivos, impedindo ou protelando o tratamento correto de outros transtornos e até mesmo demandar medicações desnecessárias. Por isso, é fundamental que o diagnóstico do TDAH seja feito por profissionais especializados, e que haja uma relação de confiança entre os pais, o paciente e o profissional, para garantir o manejo adequado do quadro. Além da avaliação clínica completa feita pelo neurologista e/ou psiquiatra (pediátricos e de adultos), é também de grande importância a avaliação neuropsicológica, que é realizada por um neuropsicólogo", finaliza Márcia Delmare de Oliveira Peixoto.

Serviço

Márcia Delmare de Oliveira Peixoto
Psicóloga especialista
em Neuropsicologia Clínica
Clínica Inovar (Lafaiete): 3721-2781
Therapeuticum (Entre Rios): (31) 3751-2752
Corpore Life (Desterro): (31) 3736-1411

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