Rio São Francisco, em Três Marias, no dia 27 de janeiro de 2018. Será o fim?
Uma preocupação muito
grande está causando alvoroço, principalmente para os pescadores, a situação do
nível das águas do rio São Francisco abaixo da represa de Três Marias. Diversas
especulações tentam explicar o que está ocorrendo. Pescadores de nossa cidade
que têm rancho na região e que recentemente estiveram por lá, informaram que
quase ninguém se aventura a tentar a navegação, nem pescadores, nem ribeirinhos
e muito menos a polícia ambiental, já que o risco de um acidente é muito
grande. Tecnicamente, podemos tentar explicar tendo como base os dados diários
do reservatório de Três Marias, fornecidos pela CEMIG. Vamos, através de um
quadro representativo, tentar explicar o que ocorreu no ano de 2017:
Com base nos dados
acima, não fica difícil concluir que a CEMIG manteve uma vazão de saída maior
durante quase todo ano visando a suprir a falta de água no reservatório de
Sobradinho na Bahia. Por este motivo, o nível se manteve razoavelmente bom até
a data limite de 18 de Novembro, quando o nível da represa chegou a seu ponto
crítico (6,0%), forçando o fechamento das comportas, com a consequente diminuição
da vazão. Com
a chegada do período chuvoso e a vazão baixa, nota-se a
recuperação gradual do volume do lago, atingindo no dia 28 a marca de 25,5%,
praticamente a mesma do último ano. Isto quer dizer que, se a represa de
Sobradinho conseguir se manter, o nível da represa de Três Marias, apesar de
não muito confortável, deverá romper mais um ano sem grandes problemas.
Importante também ressaltar que este ano tem chovido mais na região, dados
também comprovados pela CEMIG: Em janeiro de 2017 a vazão de entrada foi de
11.203.000 e em janeiro de 2018, até o dia 28 já atingiu 16.027.000. É esperar
para ver. Observação: todos os dados de vazão são em metros cúbicos por
segundo.