Pediatra Roger Brant alerta para complicações da catapora

A
varicela, popularmente conhecida como catapora, é uma infecção viral aguda,
altamente transmissível, causada pelo vírus varicela-zoster. Frequente e muito
contagiosa, na maioria dos casos, a catapora é uma doença benigna e
autolimitada. Mas complicações podem existir, conforme explica o pediatra Roger
Brant Machado. Por isso, é importante estar atento. "A varicela pode ocorrer
durante todo o ano, mas existe uma predominância de casos entre agosto e
novembro, do fim do inverno até a primavera. Neste período, é muito comum os
surtos em escolas e creches. Portanto, é de grande importância que o cartão de
vacinação das crianças esteja em dia, pois a vacina (em duas doses), a partir
dos 12 meses de vida, é a melhor maneira de prevenir", explica.
Crianças
com idade entre 2 e 8 anos compõem o grupo mais afetado, mas os adultos não
vacinados e que nunca tiveram a doença na infância também podem ser acometidos.
O pediatra destaca que, após um episódio de varicela, o paciente desenvolve
imunidade, ou seja, não volta a contraí-la. "A catapora é uma doença viral
altamente contagiosa, de distribuição universal. A transmissão do vírus ocorre
pela secreção respiratória (gotículas de saliva, espirro, tosse) e também pode
ocorrer pelo contato direto com o líquido das vesículas. A transmissão ocorre
48h antes do surgimento das vesículas e vai até a formação de crostas. A
duração da doença é, em média, de 6 a 8 dias em crianças saudáveis", relata
Roger Brant, ressaltando que os principais sintomas são febre, cefaléia leve e
sensação de mal-estar, depois ocorre o surgimento de exantema maculopapular.
O
período de incubação da doença é de mais ou menos 10 a 21 dias, uma média de 14
dias entre o contato e os primeiros sinais da infecção. "Aproximadamente entre
24h e 36h após o início dos sintomas, surge a erupção cutânea, exantema
maculopapular com predominância na face e tronco, que, em poucas horas,
tornam-se vesículas, evoluem para pústulas e, depois, formam crostas. Essa
evolução acontece em cerca de 3 a 4 dias", esclarece. O pediatra explica,
ainda, que a doença é considerada benigna em pacientes imunocompetentes. Já em
imunodeprimidos, a varicela pode apresentar formas graves com disseminação
sistêmica.
Roger
Brant alerta que as complicações existem. Porém, são 10 vezes menores em
crianças do que em adultos: "Quando há complicações, pode ocorrer comprometimento
dos pulmões, cérebro e pele. As infecções secundárias da pele são as
complicações mais comuns. Como a doença cria na pele uma porta de entrada para
bactérias podem ocorrer infecções sistêmicas e invasivas. A segunda complicação
mais comum é o comprometimento do sistema nervoso central sob a forma de
meningite asséptica, encefalite etc. A pneumonite viral é uma complicação muito
temida e deve ser destacada".
Tratamento
A
prevenção por meio da vacina é o mais indicado para todas as idades, com
exceções para alguns casos, conforme explica o pediatra Roger Brant Machado:
"Os pacientes com doenças crônicas, ou em uso de medicamentos, não devem ser
vacinados, pois certamente, esses possuem critérios de contraindicação à
vacina. Gestantes, bebês prematuros e imunodeficientes também possuem
contraindicação. Nestes casos, é recomendado o uso de imunoglobulina específica
para varicela, que deve ser administrada até 96h da exposição".
O
pediatra alerta que, em situação de surto na região de moradia ou creche,
escola, ou ainda, quando houver caso de catapora dentro de casa, a vacina pode
ser utilizada para bloqueio do surto, sendo administrada até 5 dias após o
contato com o vírus. "Se pessoas saudáveis contraírem a doença, o tratamento
realizado é sintomático, com prescrição de anti-histamínicos para controle do
prurido (coceira), sabonete antisséptico para a limpeza da pele e antitérmicos
para controle da febre. O tratamento das infecções pulmonares, neurológicas e
da pele é específico", relata, considerando que não há muitos registros de
catapora na cidade.