Número de pacientes com doença renal crônica triplica em 16 anos
O número de pacientes com doença renal crônica que precisam de diálise cresceu de 42 mil, em 2000, para 122 mil no ano passado, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Em 2016, 5,7 mil pessoas fizeram transplante de rim no país, quantidade que vem aumentando, em média, 10% de um ano para o outro. O problema é agravado pela desinformação. Segundo a nefrologista da Clínica de Tratamento Nefrológico Santo Antônio, Silvana Mourão Oliveira, muita gente desconhece os sintomas e acaba deixando a doença renal evoluir, até que ocorra a perda parcial ou total da função dos rins. "Essa perda pode ser primária, quando originada nos próprios órgãos, ou secundária, quando acontece como consequência de alguma doença sistêmica que acomete os rins, como é o caso da nefropatia diabética", alerta.
Todos os fatores que afetam o funcionamento dos rins contribuem para o agravamento da doença. Patologias dos próprios rins, como cálculos (ou pedras), infecções urinárias ou outras que não sejam devidamente tratadas podem vir a prejudicar o desempenho de suas funções, levando ao desenvolvimento da doença renal crônica. Do mesmo modo, patologias crônicas, como diabetes, hipertensão, lúpus eritematoso sistêmico, entre outras, podem, durante seu curso "natural" afetar também os rins, quando não devidamente controladas e monitoradas."Pacientes que têm diagnóstico de doença renal crônica inicial devem ter cuidado com exames que requeiram uso de contrastes, com medicações que possam ser tóxicas ao rim e com estados que levem à desidratação, como diarreia e vômitos. Pois essas são situações que podem vir a agravar a doença renal", alerta. Para se prevenir, o ideal é ingerir bastante líquido, como água e sucos naturais, não usar medicamentos sem prescrição médica, fazer exames periodicamente, controlar a pressão arterial e a glicose no sangue.
Atente-se aos sintomas ? A nefrologista alerta que a doença renal crônica só apresenta sintomas quando já está em um estágio bem avançado. "Nós, médicos, consideramos cinco estágios para a doença. De modo geral, até o estágio três não há sintomas específicos dessa doença. A partir do estágio quatro, podemos ver náuseas, enjoos, falta de apetite, falta de ar, inchaço, coceira no corpo, palidez. No estágio cinco, esses sintomas se exacerbam e já é necessário iniciar a diálise. Por isso, todos que têm história na família de doença renal crônica, que apresentam alterações no exame de urina simples, pedra nos rins, sejam portadores de diabetes ou pressão alta devem procurar um nefrologista, pelo menos, uma vez ao ano", orienta.
Em um determinado estágio, o rim se torna incapaz de realizar suas funções e é preciso iniciar a diálise, que é um processo artificial de filtrar as impurezas do corpo. "A diálise peritoneal é feita de maneira contínua, 24h por dia, 7 dias por semana. Já a hemodiálise, geralmente, é feita três vezes/semana, em sessões de 4h de duração. O paciente deve seguir rigidamente as orientações do serviço ao qual está vinculado para tratamento, que incluem o uso (ou não) de medicamentos, ingestão de líquidos, dieta, cuidados com seu corpo e uma série de prescrições individualizadas", explica a nefrologista. Ambas as terapias estão disponíveis pelo SUS em Lafaiete e também são cobertas por alguns planos de saúde.
Quando o transplante é a saída -Considerado como terapia renal substitutiva, o transplante é outra opção para quem chega à doença renal terminal, quando os rins não conseguem exercer sua função adequadamente. Em Lafaiete, representam a oportunidade de mais qualidade de vida para, pelo menos, 32 dos 159 pacientes em diálise na clínica Santo Antônio. "Eles estão aptos a receber, aguardando por um transplante de rim", pontua a nefrologista, que deixa um alerta para a prevenção: "A realização de dois exames simples e baratos ? urina rotina e creatinina plasmática ? pode detectar a doença em uma fase precoce, onde é possível atuar retardando ou, até mesmo, impedindo a evolução para os estágios avançados. Então, não se descuide da sua saúde", finaliza.
Serviço
Clínica de Tratamento
Nefrológico Santo Antônio
Endereço: rua Píramo, 120,
Vista Alegre (anexo ao HMSJ)
Telefone: 3721-1119 / 3763-5120