Brasil tem 11,5 milhões de casos de depressão
Ela afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia. Esta foi a conclusão da Organização Mundial da Saúde (OMS), que no Dia Mundial da Saúde, lembrado em 7 de abril, chamou a atenção para a depressão: "No pior dos casos, a doença pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos", destacou a OMS. O momento é de alerta. De acordo com a OMS, o número de pessoas que vivem com depressão está aumentando ? 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou, ainda, que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.
De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão ? um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos. O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices de depressão em sua população ? 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.
Diagnóstico e tratamento
Ao longo das últimas décadas, a classificação dos sintomas e o próprio diagnóstico da depressão registraram avanços significativos ? a doença deixou de ser considerada banal, uma espécie de momento de fraqueza ou mesmo frescura, e chegou a ser referendada por diversas entidades médicas de cunho internacional como o mal do século. "A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde", destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.
Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda. A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo ? e, em alguns países, menos de 10% dos casos ? recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico. "O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo", concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.