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Guerreiras da Asapac dão lição de vida no Dia da Mulher

Por Redação

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Nem sempre os dias são fáceis. A indisposição causada pelo tratamento, o medo do que virá pela frente e até a discriminação fazem parte do dia a dia de milhões de mulheres que, em todo mundo, lutam contra o câncer. Mas na manhã de sábado, dia 25, elas resolveram, mais uma vez, deixar a timidez e tudo isso de lado. Diante de uma plateia cheia de afeto e um atento corpo de jurados, elas participaram do Mulher Guerreira Asapac. O desfile, promovido pela Asso­ciação de Amparo ao Paciente com Câncer na sede da Ordem do Advogados do Brasil (OAB-CL), foi marcado por exemplos de autoestima e superação.

Segundo a responsável pela coordenação do Social na Asapac, Renata Gomes de Moraes, as escolhidas pelos jurados foram: Marcia Aparecida Baeta de Assis Pereira (1° lugar), Adriana Rodrigues de Miranda (2°) e Neide Ramires Pereira (3°), mas todas elas são, sem dúvida, vencedoras. Por isso, Maria Isabel Aparecida; Maria do Carmo Marciano; Neuza Silva e Vilma Pereira também receberam os aplausos e o reconhecimento de todos. A manhã ainda teve espaço para uma bela homenagem a Iolanda Carvalho. Exemplo de força, amor e persistência, ela supera as limitações impostas por um AVC para cuidar do filho, em tratamento de câncer. "Dessa forma, ela mostra a força e o amor de uma mulher guerreira, de uma mãe", avalia Renata.

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Guerreiras sim!

Diagnosticada com câncer em outubro passado, a auxiliar de serviços gerais, Márcia Aparecida Baeta, 53 anos, decidiu não se entregar: "Chorei muito, mas a gente tem que lutar. A doença está alastrando e a gente tem que ser forte", conta.  Para ela, uma das maneiras de fazer isso é se sentir bonita: "Não é porque você está com câncer que tem que se definhar. Temos que ficar bonitas e elegantes", avalia. Na luta contra o câncer há 3 anos, a cuidadora Neide Ramires Pereira, 61, revela as dificuldades que enfrentou: "Passei minha vida toda cuidando de doentes. De repente, eu estava sendo cuidada. O tratamento é doloroso. É terrível ver meus filhos sofrendo por mim", desabafa. A dor se torna mais forte diante da discriminação. "As pessoas ainda nos discriminam. Se a gente vai pedir ajuda, esbarra no medo delas", lamenta. 

E foi por essa razão que Neide aceitou o desafio de desfilar: "Participar dos eventos da Asapac é uma maneira de retribuir o que fazem por mim. Aqui a gente tem apoio financeiro e moral. Recebemos medicamentos e levantamos o nosso astral. Então, pisar na passarela é fichinha. Precisamos mostrar que somos guerreiras; que passamos por tudo isso e vencemos. E que seja agora o que Deus quiser. E se o câncer voltar, venceremos de novo!", afirma. Muito tímida, Adriana Rodrigues de Miranda, 37 anos, não poupou elogios ao apoio que tem encontrado na Asapac: "É a primeira vez que desfilo e me sinto muito feliz por estar aqui, junto dessa família que nos acolhe sem exceção, sempre com um gesto, brincadeira, sorriso e abraço de carinho. Agradecer é o que eu posso fazer, no momento, a essas pessoas e a Deus, por estar viva", afirma.

A luta pela vida da dona de casa Vilma Pereira Reis da Silva, 65 anos, é longa. Moradora do Carijós (região sudoeste), ela foi submetida a primeira cirurgia há 13 anos. Desde então, teve de lidar com seus medos e com o afastamento dos amigos: "Muitos me criticaram e só se aproximavam para falar da doença. Outros, simplesmente, se afastaram. Tem cinco ou seis anos que estou aqui e não perco um sábado da reunião. Passei pela segunda cirurgia há quase dois anos e aqui aprendi a me cuidar mais", conta. Para ela, estar na passarela foi um desafio: "Nunca pensei em desfilar. Confesso que nem queria, porque a gente não tem somente câncer; têm outros problemas que exigem de todas nós a força de uma guerreira. Mas quando vi as meninas na ponta da passarela da Asapac - todas de vermelho ? eu senti a coragem e o ânimo que eu precisava", conta.

As idas diárias a Belo Horizonte para a químio e radioterapia fazem parte de uma história ainda recente na vida de Maria do Carmo Marciana Silva Rocha, 50 anos. Para tratar da doença, ela deixou Rio Espera, mas encontrou na Asapac as amizades e o apoio que precisava. Prestes a pisar na passarela, ela se revelou feliz e ansiosa. "Só perdi duas reuniões nesse período. Até meu marido participa; ele veio me ver no desfile", conta. Para a doméstica Maria Isabel Aparecida, 48 anos, ficar longe do trabalho para se tratar diariamente em BH tem sido o ponto mais difícil em sua batalha: "Descobri o câncer há menos de 2 anos. Passei por uma cirurgia em 2015 e, graças ao bom Deus, nada atrasou: tudo deu certo. Mas pensei que, quando fizesse o tratamento, ia voltar aguentando a trabalhar. Só que isso não aconteceu. O resto a gente coloca nas mãos de Deus. Desde o começo, encontrei apoio aqui na Asapac", conta.

A organização agradece às juradas: Rose Anne Teodoro (Consultora da Natura); Celma Rosamia Gonçalves Mendes (Fraternidade Feminina Estrela de Queluz); Maria Helena Bueno Ferraz (Lions Clube Lafaiete Centro); Jaqueline Cócolo Marcus de Souza (Lions Clube Alvorada) e a todos que acreditam e apoiam o trabalho da Asapac. Em especial, a OAB por ter cedido o espaço, e às lojas que presentearam nossas guerreiras.

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